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Gula
28Abr2009 06:30:00

BLOGTOK | CICLOS DE POESIA | 7 PECADOS | GULA | SILVÉRIO CALÇADA

 

Bom dia, azia!

Que noite tão estranha e sombria
devido às caipirinhas, à sangria,
fatias de presunto com melão,
chouriço bem assado e salpicão.
O vinho estava fresco e escorria
por cima dum pedaço de leitão.


Mas que ressaca!

A carne era de porco e de vaca
(alguns até metiam para a saca)
comi um frango assado quase inteiro,
daqueles gordos, chefes do poleiro.
Havia doçaria, mas da fraca,
excepto um leite-creme bem porreiro.

Mas que tristeza!

Os olhos não enxergam com clareza,
a boca uma secura, impureza.
Um vómito que súbito avança
por cima do aperto em minha pança.
Às voltas a cabeça só me pesa,
rescaldo duma noite de festança.

Mas que tontura!

Eu nem sequer consigo estar em pé.
Eu tenho de remar contra a maré,
tentar aliviar o mal-estar,
enjoo ou doença de alto mar.
Preciso emborcar um bom café,
preciso de parar de arrotar.

Mas que alívio!

Depois de ter tomado aspirina

(a mais bela invenção da medicina)
consigo finalmente abrir um olho,
só um, até pareço um zarolho.
Ainda vou culpando em surdina
a muita carne gorda ou o molho.

Bom dia sol

Castiga-me outra vez com tua luz.
Vou ter de enfiar grande capuz
se quero abrir os olhos outra vez.
Disfarço a vergonha em timidez
oculto-me do mundo, avestruz,
escondo assim também a palidez.

Poema de Silvério Calçada

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