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Tu e o Meu Bolo de Chocolate
12Out2010 07:42:04

BLOGTOK | CICLOS DE POESIA | 7 PECADOS | GULA | FRANCISCO COIMBRA


Ela sorri, anima a festa, mas é o seu bolo de chocolate a alma de tudo o que aconteceu. Foi, mais uma festa. Agora escrever um conto sobre o meu bolo de chocolate preferido, leva-me a esquecer de tudo, querer, quase por força, adormecer e sonhar! Entrar nesse plano onde a realidade se deixa surpreender pelo nosso desejo para, por vezes, satisfaze-lo como acordados não conseguiríamos imaginar. Vou então, agora mesmo, deitar esperando um sonho horizontal a espraiar frases à procura da gulodice: bolo de chocolate, como disse...
Estou nestes propósitos, será escusado tentar adormecer. Recosto-me nas almofadas, abro o caderno, vai de dar uso à esferográfica. Macia, pinta de tinta a folha do caderno, enquanto deixo acontecer esta alquimia dum texto escrito com água na boca inspirando um cheiro a chocolate onde late um aroma de farinha aquecida, expandida, aromatizada, trazendo a alma do fogo, o calor da quentura… finalmente, com desenvoltura começo a sonhar: é a dentada no bolo. Mas, distraio-me.
São teus lábios macios a acariciar uma das fatias, a gulodice a cavalgar o desejo, teus cabelos em meus dedos, nus em pelo, nossos corpos feitos gozo de atingir o orgasmo como quem toca órgão no coro da igreja para onde se sobe por uma escada estreita perto da entrada e em crianças nos escondíamos a fazer marmelada até ao dia em que fomos apanhados nus contigo a fazer de Virgem iluminada pela luz que atravessava o vitral.
São associações de ideias, eu sei ou julgo saber. Que importa termos tido de nos confessar, termos tido a mesma penitência? Cada um rezou duas Ave Marias, se tivéssemos prometido seria certo termos cumprido, voltar a pecar! A partir desse dia a gula passou a ser mais um pecado para praticarmos juntos, comendo do corpo um do outro: deste-me doces, derramados sobre o peito, mel. A minha língua escorregava, pegajosa, teus mamilos duros erguidos, também acabei ficando com as cuecas todas meladas por bons motivos.
Uma coisa tão boa como o teu bolo só podia levar ao erotismo e desaguar no optimismo, quando me leres hás-de achar o caminho marítimo para uma índia ainda desejosa de se deixar desflorar entregue a conquista ao descobrimento do seu cobridor descobridor. Esta índia, personagem famosa das nossas descobertas infantis onde, afinal, já estávamos crescidos quando…
Pois é as histórias todas tem fim, às vezes ficam incompletas como é o caso desta se não for saborear uma gulodice, não importa qual, a que me sussurrares ao ouvido agora que estou pronto a escorregar e deitar ao comprido, cumprido o conto.

Francisco Coimbra

site:http://sevenart.ning.com/profiles/blogs/tu-e-o-meu-bolo-de-chocolate

 

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